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Coluna empresarial – De quem é a responsabilidade?

 

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?

 

Em uma determinada rua, que dá acesso à uma das principais rodovias de uma determinada região, me deparei com o seguinte cenário: a rua em que eu estava trafegando, recém asfaltada e um pouco mais a frente, a rodovia, também reformada e com pavimento asfáltico novinho em folha. Porém, entre o final da rua e o início da rodovia, havia um espaço com aproximadamente 30 metros de chão batido, sem asfalto ou calçamento.

 

Fiquei me perguntando qual a razão para esse fato e sinceramente não encontrei explicações razoáveis para justificar a situação. Evidentemente, existem questões legais entre união, estados e municípios, no que tange a sua circunscrição de atuação e responsabilidade pela manutenção e conservação de suas respectivas ruas ou estradas. Entretanto, não consigo entender porque não existir uma colaboração entre as partes envolvidas para que todo o trecho pudesse ser asfaltado de forma a interligar os dois caminhos, sem aquela lacuna de estrada de chão, que além de empoeirar os veículos, desgasta as peças em função dos buracos e irregularidades. Casualmente nesse trecho, as obras ocorreram em momentos bem próximos, onde tanto a equipe que estava reformando a rua, quanto a que estava reformando a rodovia, estavam a uma distância não superior a 50 metros.

 

Quando penso nisso, fico imaginando as equipes olhando uma para outra de lados opostos, talvez com aquele olhar querendo dizer: – “Nós só vamos até aqui. Se quiserem completar o asfalto, vocês têm que fazer esse trecho”. Passei a notar em viagens a outras cidades e estados, que infelizmente, cenas como essa se repetem pelo Brasil afora.

 

A partir dessas percepções, passei a me questionar também quantas vezes isso ocorre nas empresas e instituições. Departamentos trabalhando de forma isolada e desconexa, cada qual com sua estrada muito bem pavimentada e sinalizada, porém com sérias dificuldades de comunicação e clareza das interfaces. Interfaces essas, que justamente ocasionam problemas e dificuldades, gerando lacunas ou áreas de “sombra” onde não há muita clareza de onde termina um processo e começa outro. Da mesma forma que no exemplo das estradas, será que não estamos deixando nas empresas alguns trechos sem asfalto?

 

Ainda cabe perguntar: Quem é o principal afetado com essas situações? No caso das estradas, o usuário que paga seus impostos indistintamente, seja qual for a esfera governamental. No caso empresarial isso pode afetar tanto o desempenho da empresa em termos de qualidade e produtividade, podendo até mesmo ter impacto direto na percepção de valor e satisfação do consumidor ou cliente final.

 

Nesse contexto, é oportuno fazer analogia da situação relatada com a metodologia do Balanced Scorecard (BSC), que propõe justamente uma integração entre as áreas da empresa, organizando o planejamento estratégico em perspectivas que possuem uma relação de causa e efeito, desde a concepção das estratégias, até à execução das ações. Esse modelo ajuda a responder o questionamento provocativo do título desse artigo: De quem é a responsabilidade?

 

Embora pareça óbvia, Robert Kaplan e David Norton propuseram essa metodologia, justamente porque em suas pesquisas científicas, identificaram que boa parte das organizações tinham como modelo de gestão, áreas e departamentos trabalhando de forma completamente isolada, com indicadores que não se interligavam e processos internos que não se integravam.

 

Cada vez mais, a competição do mercado exige empresas ágeis e integradas para atender as necessidades dos clientes. Dessa forma, a utilização do BSC, não somente organiza o planejamento e a gestão estratégica, mas também oportuniza a mudança do modelo mental dos colaboradores e gestores das empresas. Através de um novo modelo mental as empresas e instituições serão capazes de pavimentar suas estradas em direção aos seus objetivos, sem lacunas de chão batido que atrapalhem seus resultados e a busca pelo sucesso.

 

Por Moacir da Silva Júnior
Sócio-diretor da Aport Empresarial

 

Fonte: CDL Passo Fundo.

 

 

Data: 15/01/2020

 

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